Xuxa estreia coluna na Vogue Brasil

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Em seu primeiro texto, Maria da Graça “Xuxa” Meneghel resume sua trajetória do Rio Grande do Sul até o estrelato:

Oi, meu povo! Deixa eu me apresentar… Sou Maria da Graça “Xuxa” Meneghel, filha caçula de uma família de gaúchos. Minha mãe, Alda, era filha única de alemães e suíços que vieram fugidos da Alemanha pra cá. Ela perdeu o pai aos três anos, foi criada por ciganos e quase virou freira. Conheceu meu pai quando tinha 15. Ele era filho de italiano, do vô Eduardo com a polaca Carolina. Meu pai, Luiz, era um dos cinco filhos e também teve cinco, dos quais eu sou a caçula: Solande Aldaiz, Mara Rúbia, Cirano Rojabaglia e Bladimir Elisaldo. Sim, verdade!

Minha mãe teve a Sola aos 16 anos e resolveu dar o segundo nome de Alda + iz. Gostou da ideia e começou a pirar! Viu a vedete Mara Rúbia no teatro e a segunda filha, aos 18 anos, ganhou seu nome… Leu o livro Cyrano de Bergerac e, pimba!, Cirano Rojabaglia, aos 19 anos… Por que Rojabaglia? Só Deus sabe! E depois leu outro o livro – sobre Wladimir, o cigano – e já se animou e colocou Baldimir Elisaldo, aos 24 anos… Sim, Elis + Aldo, o contrário de Aldaiz.

Bem, depois disso posso dizer que meu nome seria Morgana Sayonara (por causa da fada Morgana), ou Ivan e Jandrei… Sim, sim, sim… Mil vezes sim, eu juro que é verdade! Só que eu quase morri no parto e meu pai teve que escolher entre salvar a vida do bebê ou da mãe (claro que escolheu a mãe). Então, por uma promessa e um milagre, meu pai me deu o nome de Maria da Graça, que nunca foi usado, pois ao chegar em casa da maternidade, minha mãe disse ao meu irmão Blad, que tinha dois anos e meio: “Comprei um bebê lindo pra você cuidar e brincar.” Ele prontamente disse: “Eu sei, é a minha Xuxa”.

Ok. Então desde que eu nasci eu sou Xuxa: com intolerância a lactose – coisa que ninguém descobriu naquela época – e com deficiência pra digerir qualquer carne animal – coisa mais difícil ainda, já que sou gaúcha com muita honra, mas carne de vaca nunca fez bem ao meu corpitcho. Nasci em uma cidade chamada Santa Rosa, fronteira com a minha amada Argentina. Meu pai, militar, foi transferido para o Rio de Janeiro em 1970, quando eu tinha sete anos. Fui criada no subúrbio do Rio de Janeiro, em Bento Ribeiro, e só aos 17 anos me mudei pra outro lugar, ainda subúrbio, mas mais próximo da zona sul do Rio, que é o sonho de toda adolescente: viver perto da praia, ouvir e ver as garotas e garotos de Ipanema desfilarem sua beleza…

Mas enfim, como estava contando… Fui descoberta como modelo no trem (mesmo!), por um olheiro, aos 16 anos de idade. Aos 17 já tinha feito 54 capas de revistas e aos 18 fiz muitas outras, além de todas as revistas masculinas da época, quando fui contratada pela Ford Models, em Nova York. Sim, eu era símbolo sexual, virgem, suburbana, interiorana e pra completar engatei um relacionamento com o maior ídolo desse país, Pelé, com quem fiquei durante seis anos.

Depois, mais dois anos com outro grande símbolo: Ayrton Senna. E, pra completar tinha um programa das 8h as 12h, todas as manhãs, na maior emissora de televisão do Brasil, a Globo. Acha que é pouco? Fui ser mãe solteira aos 35 anos. Gravei programas na Argentina, Espanha, Estados Unidos. Mas também fui muito enganada, roubada e abusada sexualmente. Nunca usei nenhum tipo de drogas na minha vida, tenho loucura por bichos e crianças, estou beirando meus 60 anos e parece que voltei a ficar na moda, as pessoas querem me ouvir.

Por isso farei esta coluna, pra vocês saberem dos meus sufocos, das minhas vitórias… E se isso puder ajudar pelo menos uma pessoa, estarei muito feliz. Beijinho, beijinho a todos os leitores e obrigada à Vogue pela oportunidade.