Colunista da CONTIGO!: Xuxa escreve sobre a saúde dos pais e reflete sobre a fragilidade da vida

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Xuxa | Crédito: Blad Meneghel

Oi, gente! vou falar de algo que nunca Esperamos: ficar doente, quase morrer… A gente pensa em acordar, comer, trabalhar e fazer as coisas que a vida oferece, mas nunca imagina enfrentar um sufoco, um acidente, um erro médico… Dor, sofrimento e morte, não passam pela nossa cabeça nem por nossos planos.

Por que estou dizendo isso? Muita gente sabe que a minha mãe, Aldinha – ela acabou de fazer 80 anos no dia 26 de janeiro –, está acamada, sem se mover (nem um dedo), falar ou se comunicar de alguma forma. Às vezes, perguntamos se sente dor e ela pisca. Isso é o máximo que pode fazer. Ela tem Parkinson no último estágio. É muito sofrimento! Aliás, é comum confundirem com Alzheimer, uma doença em que a pessoa esquece de tudo. É como se ela, mesmo de corpo presente, não estivesse mais ali. Já no Parkinson, a cabeça segue funcionando, mas o corpo deixa de responder. A minha mãe se alimenta por tubo, faz xixi por sonda, não se mexe…. É cruel! Há anos ela tem lutado contra a doença diariamente. Enquanto isso, via o meu pai, seis anos mais velho que ela, inteiraço! Ele usava apenas uma bengala e reclamava de dor nas costas. Ou seja, conseguia expressar como se sentia. Tenho certeza, minha mãe amaria conseguir reclamar, falar, abraçar a gente. Por causa da dor na coluna, meu pai foi ao hospital algumas vezes, mas os médicos não disseram que ele estava com osteoporose (doença nos ossos). Assim, o problema se agravou até haver um esfarelamento das costelas e coluna. Em consequência desse quadro, ele foi internado com muita dor. E, então, resolveram começar a tratar a coluna. Para tanto, aplicaram doses de um remédio que afinou muito o sangue dele, provocando uma hemorragia no duodeno e no esôfago. Logo, alguém que entrou no hospital andando – sim, com dificuldades, mas andando, falando… – hoje, não fala e está tão frágil, ou até mais do que minha mãe. Como pode?

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Xuxa em registro com os quatro irmãos, Bladimir, Cirano, 
Mara Rubia e Solange, 
e os pais, Luiz Floriano e Alda 
Nunca saímos de casa preparados para o pior. Não imaginamos que coisas ruins podem acontecer: desastres, erros médicos… Por isso, pergunto: ao acordar, você pensa que esse pode ser o seu último dia? Se sim, o que não poderia deixar de fazer para ser feliz hoje? Responda preparando uma lista de metas a cumprir. Cole-a no seu espelho e, antes de escovar os dentes, leia-a todos os dias. Segue a minha lista:
– Tomar um banho demorado e caprichado (não sempre, claro, pois temos que economizar água).
– Beijar a minha mãe e dizer que a amo.
– Ligar para a minha filha e dizer que ela é a pessoa mais importante da minha vida.
– Cumprimentar com um sorriso quem passar na minha frente.
– Dar um beijo demorado de bom dia no Ju (isso se ele estiver ao meu lado e mesmo que tenhamos dormido agarrados) ou dizer, por celular, “bom dia, amor meu”.
– Comer algo que me dê prazer.
– Rezar cantando, agradecendo a Deus por tudo que ele já me deu e vai me dar.
– Se cruzar com um amigo de verdade, não perder a oportunidade de dizer “ te amo”.
– Se tiver sol, aproveitá-lo! Está chovendo? Curtir! Tempo nublado: respirar fundo e agradecer por ver e sentir tudo isso. 
FONTE: CONTIGO
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