Xuxa conta os detalhes da viagem à Itália com a filha, Sasha

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Sempre sonhei em colocar uma mochila nas costas e viajar com minha filha. Ela cresceu e chegou a hora de viver essa experiência, que se mostrou uma verdadeira AVENTURA! Preparados? Apertem os cintos e vamos juntos! 

DIA 1: A PARTIDA 
Nós saímos do Rio de Janeiro com destino a Barcelona (Espanha). Como a minha irmã, a Mara, vive lá há mais de 20 anos, considerei um bom ponto de partida. Para adiantar, reservei aqui do Brasil o carro que usaríamos lá. Minha filha pensou que eu pegaria um jipe com capota, mas optei por um modelo automático e com ar-condicionado, pois ficaríamos cinco dias na estrada entre Barcelona e Itália, parando em todas as cidades. Nós comeríamos em qualquer lugar e dormiríamos em qualquer canto. Então, achei que merecíamos um veículo confortável. 
DIA 2: IRMÃ E ESTRADA 
Chegamos a Barcelona! Vi minha irmã, comi, dormi um pouco e caímos na estrada. Fomos para Roses, uma cidadezinha encantadora! Dormimos em um hotel incrível, que a Sasha achou pela internet: pequeno, limpo e lindo. Lá, conhecemos o Nicholas, filho de mãe portuguesa e pai espanhol, um doce de pessoa que nos deu muitas dicas. Deixamos o local bem cedo. Só paramos em uma lojinha para comprar água, fruta, biscoitos… 
DIA 3: GIRASSOL 
Paramos em Cadaqués, outra cidadezinha linda da Espanha. Uma mistura de Paraty, Búzios e Bahia. Lá, pedi uma salada, mas não consegui comer, pois veio banhada em azeite. Seguimos viagem e, no caminho, vimos uns girassóis, além de uma plantação de lavanda. Entramos em Nimes, uma cidade ao sul da França, que tem um pôr do sol incrível. Amamos! De lá, partimos para Provença… Na verdade, achamos que estávamos indo para uma outra cidade francesa, mas que nunca a encontramos. Aliás, não achamos nem as lavandas que vimos nas fotos de uma revista que fotografamos. Era noite e muito escuro quando chegamos ao Jardin de L’alchimiste, um ponto turístico no coração de Provença. Porém, estava fechado. Então, fomos para um hotel. 
DIA 4: A RUA DA CONFUSÃO 
Tomamos café e partimos rumo a Saint-Tropez, cidade à beira-mar da Riviera Francesa. Lá, fomos para uma praia de nudismo. Anoiteceu rápido e pedi para a Sasha buscar um hotel, pois precisávamos de um banho e dormir bem. Ela viu a foto de um hotel lindo e… Bem, aí começou a aventura. Na rua que nos levaria a este hotel não passava carro, só moto, bicicleta e, talvez, carrinhos minúsculos. No entanto, não tínhamos essa informação. Além disso, não havia iluminação. Nós entramos na tal rua com o carro enorme que eu tinha alugado e já não era mais possível dar ré. O espaço parecia afunilar. Não dava para abrir as portas, só o porta-malas. E, se saíssemos por lá, para onde iríamos na escuridão? Sem contar que não falávamos nada além de “merci”. Eu tremia dos pés à cabeça, não via solução. Apenas fui adiante. Ao chegar ao hotel, quem disse que eu saía do carro? Só tremia. A Sasha chamou alguém e veio um francês falando inglês com sotaque: “Por que você subiu? Não viu a placa dizendo que não entra carro nessa rua?” Placa em uma rua sem luz e ainda escrita em francês? Então, surgiu o Peter, um motorista que leva hóspedes para cima e para baixo em um carro pequeno. Pedi que ele tirasse o meu carro, pois eu não conseguiria nem que a vaca tossisse em francês. O hotel parecia um castelo, com pouca segurança. Ele era muito claro, com vidros e claraboias que não me deixaram dormir mesmo com tapaolho. E tinha pombos que conversaram sem parar. Era simplesmente a sonoplastia perfeita para um filme de terror.
DIA 5: CARRO GUINCHADO? 
Pegamos a estrada para a Itália. Achamos um lugar para comer, uma feirinha linda, mas lotada. Estacionamos e saímos andando por aquele lugar bonito. Cerca de 1 km depois, ao vermos uma placa dizendo que o carro poderia ser rebocado, percebemos que havíamos esquecido o papel do estacionamento no veículo! Voltamos correndo como loucas, achando que ele já havia sido guinchado. Odiamos este lugar, pois não comemos, não relaxamos… Partimos para Gênova, onde a locadora nos disse para devolver o possante. Ao chegar lá, soubemos que, na verdade, eles queriam que a devolução fosse feita na Gênova Francesa e estávamos na Gênova Italiana. Uma distância de 380 km separa as duas. Deixamos o carro na agência italiana mesmo. No entanto, com medo, pois não tinha ninguém na empresa para nos receber. Havia apenas um papel pedindo para deixar as chaves e o contrato em um buraco. Fizemos isso e fotografamos tudo. Depois, fomos atrás de um trem com caminhas, que viajam pela Europa… Outra surpresa: não tinha! Paciência, pegamos um outro qualquer. Um trem fedorento em que o cara tirava as pessoas sem tíquete aos gritos. Chegamos, supostamente, a Nice. Porém, ao deixar a estação, vimos que estávamos na cidade errada e o trem para Nice sairia em minutos. Por Deus, conseguimos embarcar. Chegamos cansadas e fomos para o hotel, com um português na recepção. Nossa reserva era das 23h às 11h. Porém, chegamos à 1h da madrugada e ele não nos avisou que, no dia seguinte, não podíamos sair às 13h. 
DIA 6: FÃ COLOMBIANO 
Acordamos, pegamos sol, comemos, saímos para passear e comprar malas. Encontrei um colombiano vendendo bijuterias e me impactei com o carinho dele. O moço tinha a bandeira do Brasil e da Colômbia tatuadas no corpo.Ele me disse que viu seus dois irmãos morrerem por drogas e que viu seus amigos serem assassinados. Ele foi preso e veio parar no Brasil. Aqui, ele disse, aprendeu português e a ser feliz comigo. O cara chorava muito ao me contar isso e repetia que eu era a parte boa da vida dele, da sua infância e adolescência difíceis. Fiquei muito feliz em ganhar esta energia! Saindo dali, recebi a ligação da agência de carros, dizendo que o automóvel, as chaves e o contrato não estavam lá. Sorte que a Sasha fotografou tudo! Mas lembram que eles queriam que eu deixasse na Gênova francesa e eu deixei na italiana? Pois bem, eles foram buscar o carro na Gênova errada. Voltamos para o hotel e descobrimos que tínhamos que sair de lá por causa do tal horário. Mudamos para o hotel vizinho, pois nosso voo saía só às 20h. No aeroporto, ocorreram vários atrasos e trocas de portão… Ao embarcar, passei mal no avião. Nunca me aconteceu isso antes. Foi horrível! 
DIA 7: O RETORNO 
Voltamos para Barcelona e fomos para um hotel incrível com direito a massagem e tudo. Porém, nossa mala foi extraviada. Na primeira noite, nós duas camos sem roupa. Minha irmã, ainda bem, conseguiu resolver o problema durante a madrugada. 
DIA 8: DE VOLTA AO BRASIL 
Cheguei ao Brasil e minha parceira de viagem seguiu na estrada com as amigas. Mas essa é outra história. 
Agora, quero fazer uma trilha de mochila com o Junno… Vocês também querem ler sobre essa aventura? Beijos!
FONTE: VIVA MAIS